TEMPESTADE |
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Os trabalhos apresentados em grandes projeções de vídeos e fotografias expressam o estranhamento do homem diante das transformações climáticas que assolam o mundo. O inglês Simon Faithfull, o alemão Michael Sailstorfer, o americano Reynold Reynolds, e os brasileiros Laura Vinci e Paulo Climachauska são alguns dos artistas que participam da exposição.
A exposição reúne obras de 14 artistas, de 11 nacionalidades distintas, apresentadas em grandes projeções de vídeos e fotografias. Os trabalhos expressam o estranhamento do homem diante das transformações climáticas que assolam o mundo. Com coordenação de Marcello Dantas, curadoria internacional de Alfons Hug e nacional de Alberto Saraiva, a exposição está estruturada a partir dos quatro elementos - fogo, água, ar e terra - que dividem a mostra. “Antigamente, o tempo era simplesmente tempo. Era como uma segunda pele para as pessoas, e, apesar de suas ocasionais inclemências, fazia com que nos sentíssemos parte de algo maior na natureza. Mas, agora, o tempo chegou ao fim e transformou-se em clima, uma entidade física, anônima e amedrontadora que, a qualquer momento, é capaz de deflagrar uma catástrofe”, explica Alfons Hug. Com as mudanças climáticas que veem ocorrendo nos últimos anos e a transformação do tempo em clima, o que era de todos passou a dizer respeito apenas a especialistas. Entretanto, afirma o curador, as qualidades metafísicas e simbólicas do tempo não podem ser apreendidas em gráficos e levantamentos estatísticos. “As mudanças climáticas, sejam elas causadas pelo homem ou pela natureza, sempre veem acompanhadas de mudanças culturais: muda a atitude que temos em relação a nós mesmos e ao próximo; o corpo e os sentidos são expostos a novas experiências”, diz o curador. Hug ressalta ainda que os fenômenos climáticos, cada vez mais midiatizados, precisam ser novamente “culturalizados” e, dessa forma, um tratamento artístico do tempo e da paisagem, como proposto nesta exposição, poderá eventualmente contribuir mais para a preservação de ambos do que um procedimento meramente científico. Ele acredita também na capacidade da massa crítica da arte ativar processos de conscientização no público. Tempestade reúne os artistas: Laura Vinci (Brasil); William Paats (Paraguai); Paulo Climachauska (Brasil), Michael Sailstorfer/Jürgen Heinert (Alemanha); Lutz Fritsch (Alemanha); Kalle Laar (Alemanha); Reynold Reynolds (EUA); Shin Kiwoun (Coréia); Alexander Nikolayev (Uzbequistão); Simon Faithfull (Inglaterra); George Osodi (Nigéria); Guido van der Werve (Holanda); Eugenio Ampudia (Espanha). Do Equador ao Pólo Sul, os artistas encontraram a intempérie. Alguns trabalhos lidam com a luz, vinda dos ciclos do Sol, outros com o tempo congelado e o branco vazio das terras gélidas da Antártida. George Osodi realizou uma pesquisa das condições apocalípticas na produção de petróleo no delta do Níger. Já Guido van der Werve mostra como um navio quebra-gelo persegue um andarilho solitário no congelado Golfo da Finlândia. Alexander Nikolayev e Simon Faithfull adentraram no território da cordilheira do Hindukush e encontraram na Antártica inóspitos desertos de gelo. Eugenio Ampudia e Reynold Reynolds, em seus trabalhos, veem o mundo sucumbir num mar de chamas. Michael Sailstorfer, por sua vez, incendeia uma choupana de madeira, até que no fim somente sobra a estufa incandescente. “Parece remeter ao poema de Lord Byron A Escuridão, onde os homens põem fogo em casas, somente para verem luz”, analisa o curador. A mostra é uma realização do Goethe-Institut e Oi Futuro (Rio de Janeiro), Secretaria Municiapal da Cultura de Porto Alegre e contra com o apoio do CREA RS. TEMPESTADE Abertura: 21 de outubro de 2009, às 19h. Exposição: 22 de outubro a 20 de dezembro de 2009. Horários:terça a domingo, das 9h às 21h. Onde:Usina do Gasômetro - Av. João Goulart, 551 - Porto Alegre - RS
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