7ª BIENAL DO MERCOSUL

7ª BIENAL DO MERCOSUL

A 7ª Bienal do Mercosul começa em março de 2008, com o lançamento de um processo inédito para seleção do curador-geral. O concurso, aberto a profissionais de todo o mundo, recebeu 67 propostas para avaliação, vindas de candidatos de mais de 20 países. O método adotado marcou uma nova etapa evolutiva da Bienal do Mercosul, tornando mais dinâmica e transparente a escolha do curador.

A proposta escolhida, assinada pelos curadores Victória Noorthoorn e Camilo Yáñez, atendeu às metas da Fundação Bienal do Mercosul:
• Foco na contribuição social, buscando reais benefícios para os seus públicos, parceiros e apoiadores;
• Contínua aproximação com a criação artística contemporânea e seu discurso crítico;
• Transparência na gestão e em todas as suas ações; • Prioridade de investimento em educação; e,
• Estabelecimento da Bienal como referência nos campos da arte, da educação e pesquisa nessas áreas.

Em linhas gerais, Noorthoorn e Yáñez propuseram um conceito de bienal que determina uma participação efetiva dos artistas que a compõem, valendo-se de sua energia criativa para refletir sobre o papel que representam. O projeto envolve os artistas na própria concepção da Bienal: considerados como atores sociais e constantes produtores de sentido crítico, os artistas serão responsáveis por conceituar formatos de exibição, o projeto pedagógico e as políticas editoriais do evento.

A equipe curatorial da 7ª Bienal do Mercosul está integrada pelos seguintes curadores:
Curadores-gerais: Victoria Noorthoorn (Argentina) e Camilo Yáñez (Chile)
Curadora pedagógica: Marina De Caro (Argentina)
Curadores adjuntos: Roberto Jacoby (Argentina), Artur Lescher (Brasil), Mario Navarro (Chile) e Laura Lima (Brasil)
Co-curadora Radiovisual: Lenora de Barros (Brasil)
Curadores editoriais: Erick Beltrán (México) e Bernardo Ortiz (Colômbia)

A 7ª Bienal do Mercosul é uma plataforma aberta de comunicação sobre o estado das artes mais experimentais e críticas do continente, em diálogo com o mundo. Para a Fundação Bienal do Mercosul, esta Bienal vai promover ações pensadas para envolver o público em um processo contínuo de aproximação e diálogo, abrindo espaço para que as contribuições da Bienal à comunidade sejam positivas e crescentes a cada edição. Este contínuo projeto de renovação e ampliação se constitui num enorme investimento, cujos resultados não se restringem ao presente, mas serão percebidos também no futuro.

Nesta edição contamos com 7 mostras:

BIOGRAFIAS COLETIVAS

"Propomos uma estética que manipule a própria sociedade como se fosse material tridimensional. Não é poder político o que queremos obter através da arte, mas sim a sobrevivência, a reprodução e o prazer para nossa espécie”.

Esta exposição se apropria da frase do artista chileno Juan Downey (1940-1993) como uma ideia potencializadora de sentido, tanto para os artistas participantes quanto para o público. A exposição se propõe como uma investigação visual que explora as possibilidades da arte, seu conjunto de relações, métodos e processos como ferramentas capazes de deslocar a visão superficial que muitas vezes se costuma ter de um contexto determinado. O processo criativo será uma ação de resistência interpeladora dos referenciais estabelecidos, permitindo uma revisão de um contexto político, histórico, cultural e cotidiano, inclusive.

Ocupando uma ampla gama de materiais e mecânicas de ativação, os artistas desta exposição vão trabalhar com formas poéticas de emancipação diante de uma dada realidade. São obras geralmente criadas a partir de uma biografia pessoal como eco de uma biografia coletiva, gerando mudanças inesperadas no interior de estruturas sociais pré-estabelecidas. A exibição propõe a criação de um microssistema que busca repensar os diferentes aspectos da sobrevivência, da reprodução e do prazer, como partes essenciais da construção social.

São obras cujos processos se relacionam entre si, a parte de haverem sido geradas em distintas circunstâncias e por diversos fatores físicos e sociais. Juntos, os trabalhos atuarão como um exercício reflexivo visual de rearticulação de contextos. Em linhas gerais, a maior parte das obras ou projetos desta exibição alude ao habitual olhar de um espectador passivo e sua importância está radicada na intenção de transmitir de maneira efetiva a pulsão crítico-criativa de cada artista convocado.

FICÇÕES DO INVISÍVEL

A exposição reúne artistas que colocam em cena sua própria relação com o processo artístico e, ao se exporem, expõem cruamente aqueles aspectos da produção artística que habitualmente ficam apagados ou sublimados na obra terminada: suas ferramentas, as estruturas dos processos, a economia de meios, o rompimento da função, a relação entre obra e vida privada, as vicissitudes a que o artista deve se submeter enquanto sujeito social.

Muitas vezes isto compreende um despojamento da linguagem artística e um desvelamento de suas estratégias retóricas. O artista desenvolve uma linguagem não mais pura, se não simplesmente mais direta e mais pobre (citando o escritor irlandês Samuel Becktett, “Me pus a escrever em francês com o desejo de me empobrecer ainda mais. Esse foi o verdadeiro motivo”) renunciando ao capital técnico e simbólico que tradição acumulou em seu aparente benefício. Empenha-se em desaprender o aprendido, em regressar a essa obscuridade que foi seu ponto de partida e meio inicial, a qual é logo esquecida e negada na criação da obra terminada e exposta.

Os artistas incluídos nesta exposição dão conta deste processo partindo de um extremo ascetismo, da confrontação direta e da exposição brutal da condição social do artista. A exposição propõe um diálogo com o teatro e exibe os mecanismos dos próprios processos de construção cênica, enquanto apresenta um número de artistas que decidem tornar visível sua experiência.

ABSURDO

Esta exposição opera sobre a estranheza e a idéia de instabilidade. Este sentido de instabilidade é uma espécie de moto contínuo histórico que alimenta a própria transição histórica na arte, sem encerrá-la em um único propósito, pelo contrário, desmistifica uma só linguagem, criando um novo lugar ou um outro lugar para o que está por vir ou o que nem foi ainda decodificado.

Cada artista convidado da mostra aceitou pensar a instabilidade como fato e como metáfora. Real ou ficcional, o outro lugar, inominado, aparece como convite à transferência física para uma nova perspectiva. O espectador desta mostra será convidado a entregar-se ao percurso de um 'outro' a conhecer. Nem sempre o terreno que encontrará é solido e familiar. Absurdo propõe a alteração do espaço reconhecível de exposição, criando uma metáfora que atrairá o público a pensar sobre os limites formais de mostras de arte.


Outras quatro exposições destacam aspectos pontuais dos processos artísticos:
• A cidade entendida como um “texto público”: inserção e irradiação
• A transformação
• O projeto e a projeção
• O desenho como espaço de tradução do pensamento artístico

TEXTO PÚBLICO

A exposição reúne artistas que postulam um diálogo ativo com a cidade, que resignificam, ao modo de um texto público: A curadoria é um plano. Um plano de ocupação e de uso das forças e pulsações que ocorrem no espaço urbano. Os artistas desta curadoria trabalham os elementos materiais e simbólicos do espaço público.

Interessam artistas que trabalhem a cidade como matéria de seus projetos.

Interessam os artistas que produzam formas poéticas a partir dos fenômenos urbanos.

Interessam os trabalhos visíveis e os invisíveis, que ocupem fisicalidades sutis como o ar e o espaço sonoro, as vias públicas e os meios de comunicação.

Interessa devolver à cidade os espaços assim como se encontravam, livres de acréscimos materiais, e que os resíduos sejam da ordem das memórias e dos significados.

A exposição ocorrerá em sua maior parte no espaço público de Porto Alegre a partir de vários vetores de investigação:

Iluminação: Trabalhos que tornem visíveis pontos estratégicos da cidade
Irradiação: Uma rádio com transmissão aberta a todos os artistas participantes da Bienal.
Transitórios Ambulantes: Trabalhos sobre os fluxos e dinâmicas do espaço e tempo urbano.
Pontos no mapa: Uma rede de projetos na Bienal e na cidade articularão, juntas, um novo texto expandido.

Além disso, a exposição terá uma base em um dos armazéns do porto. Aqui, esta curadoria contempla a instalação de uma estação da Radiovisual, a rádio criada especialmente para a Bienal.

ÁRVORE MAGNÉTICA

Esta exposição surge a partir da prática artística, aonde os processos de transformação de obra e título em uma proposta curatorial são o efeito de um sistema de intercâmbio de forças, um sistema “magnetizado” e um fluxo de energias que põe o artista-curador e o artista-expositor e suas obras em um lugar de interrogação permanente.

A proposta para esta exposição consiste em que as obras serão programadas por seus autores para serem modificadas ou transformadas radicalmente durante o período de exibição da 7ª Bienal. Todas as obras se transformarão dez vezes, com o objetivo final de mostrar ao público que os processos de desenvolvimento das obras não terminam no ateliê ou no início da exposição. Deste modo, este método de trabalho propõe um olhar mais aproximado e direto com a crítica especializada, com a imprensa e especialmente com o público, todos provocados pela dinâmica das obras a repensar seu papel como atores determinantes no campo contemporâneo da arte.

As obras serão agrupadas de acordo com três dinâmicas de transformações, que se manifestarão, em primeiro lugar, na proposta chamada construtiva, aonde as obras somam elementos para comentar o ocaso da mostra. Um segundo bloco de obras desenvolverá a noção de neutralidade, no sentido de uma inatividade aparente. Finalmente, estarão as obras que abordarão suas transformações a partir de uma perspectiva destrutiva, aonde se verá, principalmente, um processo de subtração de suas partes.

Em seu conjunto, a exibição A Árvore Magnética pretende ser um sistema vivo de trabalho artístico e um modelo de pensamento visual sobre o desenvolvimento das obras. A partir de uma perspectiva autoral, trata-se de tornar visível o problema teórico que surge da exibição do novo, do outro, do estranho (na arte, nesse caso), com o fim de desestabilizar o eixo binário que geralmente opõe o estrangeiro (as obras, o artista, o curador) ao familiar (o contexto). Neste sentido, o resultado de esta mostra deveria propor um saber nebuloso e instável, baseado na “desconfiança polar” que manifestam as seções da mostra.

PROJETÁVEIS

A 7ª Bienal do Mercosul convidou artistas do mundo todo a apresentar seu projetáveis, a partir dos quais serão selecionados os projetos que integrarão um banco de dados sobre o cenário convocado pela 7ª Bienal e um número determinado de artistas será escolhido para desenvolver e exibir seus projetáveis no e no entorno do Santander Cultural.

Foram convidados artistas a refletir sobre as possibilidades propostas pela categoria Projetáveis, que busca indagar sobre as seguintes noções inter-relacionadas:
• A noção de “projeto” como o imaginado, o planejamento, o lançamento do inexistente ao existente, da fantasia à concretização
• A noção de “projeto” como aquele que evolui
• A noção de “projeção” no sentido de ampla difusão e visibilidade, de fazer-se conhecer, de lançar-se a outra escala, de criar novos públicos
• A noção de “projeção” no sentido próprio da cartografia: o processo que leva do terreno ao mapa e do mapa ao terreno
• A noção de “projeção” no sentido psicanalítico: a projeção de um vínculo sobre outro, a transposição das representações Os projetos apresentados podem ser visuais (fotografias, imagens, slide shows, sombras, vídeos, filmes de curta, media ou longa metragem, animações, vídeo-instalações, flashes), sonoros ou performáticos (VJ e DJ, performances, conferências), ou outros meios (páginas web, jogos interativos), etc. Devem ser "projetáveis" em monitores, telas ou objetos, em contextos específicos concebidos como parte do projeto.

Devem ser transmissíveis via Internet, através de download, ou ser expostos em tempo real, via streaming. Devem ser, assim, projetos que possam andar pelo mundo sem bagagem, para em seguida adquirir sua forma local definitiva na 7ª Bienal do Mercosul.

DESENHO DA IDÉIAS

A exposição destaca o desenho como a disciplina que com maior transparência revela o pensamento do artista durante seu processo criativo e está organizada como uma “caixa de ressonância”, de modo a estabelecer diálogos com as diversas exposições da Bienal, através de seus conteúdos, poéticas e metodologias.

Será apresentado um importante conjunto de obras de artistas jovens da América Latina e do mundo em diálogo com artistas historicamente reconhecidos, sem pretensão historicista, mas com ânimo de ampliar o olhar sobre a profundidade dos processos artísticos contemporâneos. Seu título se refere à intenção de transcender o olhar sobre a visualidade, e aproximar-nos do desenho como um portador de idéias. Explora o desenho que se articula com outras disciplinas artísticas e do conhecimento.


A 7ª Bienal do Mercosul acontece nos seguintes espaços:

Armazéns do Cais do Porto
Av. Mauá, 1050 (entrada A3 e A4) - Centro

Santander Cultural
Rua Sete de Setembro, 1028 - Centro

MARGS – Museu de Artes do Rio Grande do Sul
Praça da Alfândega, s/nº - Centro

Fonte: www.bienalmercosul.art.br

7ª BIENAL DO MERCOSUL
Quando:16 de outubro a 29 de novembro de 2009.
Horários:terça a domingo, das 9h às 21h.
Onde:Cais do Porto, Santander Cultural e MARGS - Porto Alegre - RS



Comentários (2)
28-06-2010 21:31
 
TESTEMUNHO
Participei como aluno do projeto Micropolis experimentais: traduções da arte para a educação. Foi em São Leopoldo/rs, numa residência de 20 dias,com a artista Rosario Bléfari em:TALLER DE CANCIONES. Agora recebi quase uma dezena de impressos sobre várias residências. Num deles, Rosario narra suas atividades em nossa região e é muito amável comigo. Foi uma experiência confortável, única e surpreendente pelo que são capazes de pruduzirem, em tão pouco tempo, o método e as técnicas propostas por Rosario. Eu não tinha noção disso e fiquei motivado a não perder o foco de me instrumentalizar melhor para a expressão escrita. Por isso, participei de um curso de Filosofia - 40 horas - e agora faço Oficina Literária sobre elaboração de crônica.
 
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22-11-2009 17:57
 
Mto bom
Ajudou no meu Trabalhoo lol 
 
:D
 
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