COMEÇO, MEIO E FIM: desenhos pintados sobre tela

COMEÇO, MEIO E FIM: desenhos pintados sobre tela

Por Ana Zavadil
O desenho é a linguagem plástica de Fabriano Rocha. Nesta série de trabalhos não existe um tema específico e sim um pretexto para desenhar: estes desenhos são elaborados em tinta acrílica sobre tela. As telas de pequeno tamanho apresentam imagens de antigos desenhos, assim como outras eleitas com detalhes ampliados, minuciosamente construídos, coloridos e, em sua essência lúdicos, pois os motivos nos remetem a complementá-los com o nosso olho onde as interações óticas são inevitáveis.
A série de trabalhos delineia o perfil de Fabriano que deposita no autoconhecimento como um propulsor de um processo simbólico: no ato de buscar imagens, entre os seus guardados, a razão para desenhar, traz à tona o seu passado de estudante e reapropriando-se delas, lhes dá novos significados num resgate de si mesmo.
As obras de Fabriano pontuam o seu prazer em desenhar um motivo reconhecido de imediato e, em contornos lúdicos, as suas experimentações nos recortes, nas texturas e cores sabiamente distribuídos nos espaços de suas telas.
As imagens figurativas não estão calcadas somente no que vemos porque toda arte tem seu lado conceitual, uma vez que se abastece do seu entorno e da capacidade de invenção do artista para concretizar-se.
A apresentação das telas alinhadas na linha do olho deixa para os seus fruidores a ação de agrupá-las ou associá-las de acordo com as suas sensibilidades. Cabe a nós descobrirmos os elos e as combinações entre um e outro desenho. Se estas existem ou não, será o nosso imaginário que o determinará. Complementando esta ideia cito Calvino:

...quem somos nós, quem é cada um de nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras, de imaginação? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser continuamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis. (CALVINO,1990,p.138)

Nesta série Fabriano, personagem de seus tempos, teceu seu limite: o fim dá início a um novo começo, onde o tamanho e a técnica explorados integram o seu fazer artístico, serão mexidos e reordenados, constituindo um novo campo estético e determinante em sua trajetória.

Notas

Ana Zavadil é Mestranda em Arte e Cultura pela UFSM.

Referências

CALVINIO, Ítalo. Seis Propostas para o Próximo Milênio, São Paulo: Companhia das Letras, 1990.




Comentários (1)
20-10-2009 09:55
 
feio pra dedeu
 
giovanne

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